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Ginecologia e Obstetrícia

Ginecologia e Obstetrícia

A Ginecologia e Obstetrícia é uma especialidade abrangente médica e cirúrgica com vertente preventiva e curativa, da infertilidade à oncologia e que lida com a saúde da mulher e do feto ao longo de todas as fases das suas vidas. "Os médicos são preparados para defender a vida e os seus valores e é gratificante ser Obstetra, pois quase sempre tudo corre bem e são momentos de felicidade partilhados."

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Corpo clínico

Ginecologia e Obstetrícia
Ana Lúcia Nogueira

Dra. Ana Lúcia Nogueira

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Carlos Barros

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Rui Gomes

Dr. Rui Gomes

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Perguntas frequentes

Aqui encontra as respostas à perguntam que mais frequentes em consultório na especialidade de Ginecologia e Obstetrícia.
  • Diagonóstico pré-natal. O que é?

    Nos últimos 30 anos assistiu-se à utilização crescente da ecografia na vigilância da gravidez devido à evolução tecnológica. Aumento da qualidade dos aparelhos e das imagens obtidas.

    Nos últimos 25 anos a ecografia é exame de rotina na vigilância pré-natal também porque se sabe não tem efeitos deletérios no feto ou na grávida.

    Além do seu valor na datagem da gravidez, rastreio de anomalias cromossómicas, deteção de defeitos congénitos e anomalias do crescimento fetal, avaliação do bem-estar fetal e como guia de técnicas invasivas como a amniocentese, biopsia das vilosidades coronárias e cordocentese tem um efeito muito intenso na relação ante natal estabelecida entre mãe, pai e filho e/ou outros familiares que assistam à ecografia.

    A tecnologia não pára e cada vez há ecógrafos com melhor resolução e capacidade de deteção de imagens já a três dimensões e em tempo quase real (4D). Estes ecógrafos são muito mais dispendiosos e necessitam de uma utilização diária muito grande para que os seus "leasings" sejam amortizados e acabam por ser utilizados em centros ecográficos de referência onde estão médicos radiologistas ou ginecologistas que se dedicam fundamentalmente a esta área de atuação ou licenciados em Ciências e Tecnologia da Saúde.

    A maior parte dos ginecologistas que fazem clínica médica e/ou cirúrgica fazem ecografias de apoio com ecógrafos de menor valor.

    Perguntei a uma colega que se dedica a ecografias de nível II e III como é que ela explicava a deteção ecográfica da espinha bífida às grávidas que iam ao seu centro fazer as ecografias, ela explicou da seguinte forma:

    - "A coluna normalmente já a partir das 19-20 semanas está perfeitamente fechada. Em alguns casos, principalmente devido a défice de ácido fólico, mas também se houver familiares com o mesmo problema, existe uma abertura a nível das últimas vértebras e, portanto, a medula ou as membranas que cobrem a medula, saem para fora provocando um alto na parte de baixo das costas. Este alto vê-se na ecografia morfológica ou do 3o trimestre como uma bolinha sem pele por cima e vê-se no cérebro com outros sinais. A isto nós chamamos espinha bífida aberta. Às vezes existe também um defeito a nível da coluna normalmente mais pequeno que é coberto com a pele, este é muito difícil de se ver com a eco e chama-se espinha bífida oculta."

    Convém acrescentar que a deteção da espinha bífida também é suspeitada por níveis aumentados de alfa-fetoproteína no líquido amniótico, detetados na amniocentese ou no soro materno e suspeitados no rastreio bioquímico. Concluindo: é mais difícil dizer qual é a idade gestacional em que é possível determinar uma malformação do que a partir de que idade uma determinada malformação pode ser excluída.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Cesariana a pedido. Quais os prós e os contras?

    Qual a sua opinião?
    Cada ser é único e irrepetível, daí ser tão fascinante a descoberta. O certo para uns parece errado a outros. O mais favorável a uns, põe outros em perigo.

    O que escolher?
    Sozinha, não!
    Escolha um(a) médico(a) que lhe inspire confiança como profissional e como pessoa e tente em conjunto e com o pai da criança, de preferência, percorrer o caminho até ao nascimento de um novo ser.

    Se pensa que quer tudo por via natural, lute por isso, pode ser um caminho difícil, mas vale a pena tentar aquilo que pensamos estar certo. Tente percorrer esse caminho até ao fim com a médica em quem confia ou seguir as indicações dela. Se pensa que a própria posição do parto na marquesa é pouco dignificante, tem medo da dor e da incerteza. Se prefere tentar programar a sua vida. Não tenha vergonha de o assumir.

    - Não se esqueça:
    Nem sempre conseguimos o que queremos! Nem sempre as coisas são como as pensamos!
    - Já marquei cesarianas a pedido em que o bebé resolveu nascer antes e foi um parto eutócico fácil.
    - Já combinei partos eutócicos e se a mulher e o feto estão bem, segui a preferência da mulher até ao fim, por difícil que fosse esse caminho. Num parto por via vaginal pode passar a ser necessário ajuda com ventosa e/ou fórceps. A partir de certo momento pode ser necessário ajudar o feto a passar o canal de parto e já não dar tempo para cesariana.

    Acima de tudo num parto é necessário:
    - Cooperação;
    - Confiança;

    VANTAGENS de um parto por VIA VAGINAL:
    - Se se conseguir um períneo intacto ou uma episiotomia pequena é o que tem menos morbilidade para a mulher.
    - Se não for um trabalho de parto prolongado também não tem para o bebé.
    - Há pediatras que dizem fazer bem aos pulmões do bebé serem comprimidos no canal do parto.

    DESVANTAGENS de um parto por VIA VAGINAL para a mãe:
    - Se for um parto difícil ou que necessite de ajuda com um fórceps e/ou ventosa, pode causar danos graves no períneo que necessitam de correção cirúrgica posteriormente:
    - Alargamento do introito vaginal, cistocelo e/ou incontinência urinária, retocelo e/ou incontinência de gases e/ou fezes.
    - Chama-se plastia do períneo, a cirurgia que é preciso fazer para reparar os danos do parto.

    DESVANTAGENS de um parto por VIA VAGINAL para o bebé:
    - Apanha mais facilmente qualquer infeção materna nomeadamente HIV, Hepatite, Herpes, HPV, Estreptococos.
    - Por exemplo o Estreptococos do grupo B pode provocar meningite e cegueira no recém-nascido.

    VANTAGENS da CESARIANA a pedido:
    - Ausência de dores no período pré-parto, durante o parto e no pós-parto imediato.
    - Maior assepsia para o bebé.
    - Maior comodidade para todos.

    DESVANTAGENS da CESARIANA a pedido para a mãe:
    - A morbilidade é maior do que um parto eutócico fácil embora menor do que um difícil.
    - Qualquer cirurgia pode implicar aumento das aderências dos órgãos.
    - Se o cirurgião não tiver o cuidado de suturar o endométrio separado das camadas musculares pode desenvolver-se uma doença chamada adenomiose, que é a camada interna do útero (endométrio) misturada com as camadas musculares. Pode dar origem a aumento das dores menstruais e do fluxo.

    DESVANTAGENS da CESARIANA a pedido para o bebé:
    - Evitar fazer antes das 38-39 semanas para que os pulmões estejam prontos.

    CONCLUINDO:
    - Por motivos económicos no sistema nacional de saúde não é permitido cesariana a pedido, mas no sistema privado é.
    - A mulher tem direito a escolher o que pensa ser melhor para ela, enquanto isso não prejudique o bebé.
    - A obstetra tem a obrigação de colocar o seu conhecimento e experiência ao serviço da mulher.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Quais os cancros mais frequentes nas mulheres?

    As vacinas em geral salvam muitíssimo mais vidas do que as que podem prejudicar.

    Sabe-se que 20% dos cancros são provocados por um agente infecioso vírus ou bactéria. Os vírus são o 2º maior carcinogénio a seguir ao tabaco.

    A medicina preventiva inclui mudanças no estilo de vida, vacinação para hepatite B, vacinação para o cancro do colo do útero, está para breve vacina contra o cancro do estômago e já se fala em vacina contra o cancro do pulmão.

    Os cancros mais frequentes nas mulheres são:
    O cancro da mama, cancro do colo do útero, cancro do útero e dos ovários, cancro colon-rectal, cancro do pulmão, cancro do estômago e cancro da pele.

    Sabe-se que o HPV (papiloma vírus humano) que provoca o cancro do colo do útero também provoca cancro da vulva e vagina, cancro ano-rectal, cancro da orofaringe, cancro da laringe e talvez também alguns do pulmão e mama.

    Sabe-se que este vírus também afeta os homens e que é mentira que eles sejam meros portadores. Na visita anual ou de preferência semestral à sua (ou seu) ginecologista, seria ideal que conversasse sobre isto e como se pode prevenir.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Infeções vaginais... Quais são as principais? Como são provocadas? Como identificar?

    As queixas relacionadas com infeção do trato genital são das que mais preocupam a mulher e das que mais vezes a levam a recorrer espontaneamente ao ginecologista. Estas infeções assumem um papel ainda mais importante, na mulher grávida, pois além da infeção materna poder ser mais grave, o próprio feto pode ser comprometido.

    As infeções genitais não são obrigatoriamente transmitidas sexualmente e aquelas que são podem por vezes ser contraídas por outras vias, para além de que podem fazer parte de uma síndrome sistémica geral.

    Além das infeções existem:
    - As dermatites de contacto, dermatites seborreicas, os eczemas atópicos, as atrofias genitais na menopausa, as leucoplasias, o líquen escleroso, a doença de Behçet, a pitiríase genital (piolhos e lêndeas), além de reações a medicamentos. Todos eles causadores de prurido genital e podendo confundir-se com as infeções genitais.

    Por exemplo as candidíases de repetição podem fazer parte de uma síndrome poliglandular autoimune, ser a manifestação de que existe uma diabetes, ou simplesmente causadas por diminuição da imunidade local, provocada por um vírus persistente e que podem ser acompanhadas ou não de infeções urinárias de repetição.

    As infeções ginecológicas mais frequentes, são provocadas pelos seguintes agentes:
    - Fungos (Candida albicans), Bactérias anaeróbias, Trichomonas, Gardnerella, Gonococos, Chlamydia, Micoplasma, Sífilis. Vírus: Condilomas, Molluscum contagiosum, Herpes genital tipo I e tipo II.

    As principais causas de infeção vaginal podem ser relacionadas com diferenças do PH vaginal que otimamente deve situar-se entre 3,8 e 4,5. A manutenção deste PH ótimo consegue-se através da manutenção da flora vaginal normal, os bacilos de Doderlein. Se na alimentação existirem motivos para acidificar o meio vaginal ou se houver toma de antibióticos que provoquem destruição da flora vaginal normal então os fungos proliferam. Se houver uma alteração do PH no sentido da alcalinidade então proliferam as bactérias. Se houver falta de oxigenação da vagina (uso de pensinho diário p.e.) então proliferam as bactérias anaeróbias.

    Normalmente o diagnóstico da presença de fungos faz-se porque existe prurido associado de corrimento branco tipo iogurte e o diagnóstico da existência de bactérias por um corrimento amarelo esverdeado com mau cheiro. O diagnóstico da infeção por Trichomonas faz-se através da visualização do colo do útero que apresenta um aspeto ponteado vermelho e se chama "colo de framboesa".

    A infeção por Gardnerella dá um mau cheiro intenso "a peixe". A vaginose bacteriana que tantas vezes vem identificada nas citologias cervicais é uma entidade que se trata com reposição da flora vaginal normal, se o diagnóstico for de vaginite bacteriana então isto implica uma inflamação da vagina e deve usar- se um antibiótico tópico. A Candidíase pode ser tratada com a mesma eficácia com antifúngicos tópicos e/ou orais conforme a preferência da mulher, ou para alívio sintomático mais rápido os tópicos acompanhados de tratamento tópico e/ou oral de reposição da flora vaginal normal.

    Convém recordar que as infeções por Gardnerella, Trichomonas, Chlamydia e Gonorreia implicam o tratamento obrigatório do parceiro com o mesmo antibiótico oral pois elas também ficam instaladas além do colo uterino e uretra feminina na uretra e bexiga masculina. A Chlamydia e o Gonococos podem ter um percurso ascendente através do colo do útero para o endométrio e provocar endometrite, salpingite, doença inflamatória pélvica ou mesmo abcesso pélvico e são as principais causas de infertilidade feminina.

    A Gonorreia é frequentemente acompanhada de corrimento mucopurulento e a Chlamydia pode também ser, ou simplesmente e muito frequentemente ser causa de infeção insidiosa, prolongada, assintomática ou provocando alergias pélvicas crónicas e aumento da gravidez ectópica.

    A infeção por Chlamydia pode ainda surgir numa associação de: infeção genital, conjuntivite e/ou artrite (Síndrome de Reiter). Julgo importante alertar de que quando se é jovem e se tem dificuldade em iniciar as relações sexuais, falta de lubrificação, dor na penetração e ardor após as relações sexuais se deve consultar o ginecologista para despiste de possível existência de infeção a HPV (papiloma vírus humano. Qualquer infeção genital ou urinária pode ser causadora de contrações durante a gravidez e provocar ameaça de aborto ou de parto pré-termo. São particularmente perigosas para o recém-nascido no canal de parto as infeções por Gonorreia (Oftalmia Gonocócica Neonatal), a Chlamydia (Conjuntivite e Pneumonia).

    60 a 70% dos bebés têm probabilidade de contrair a infeção durante a passagem no canal do parto, pelo que se deveria fazer o despiste a todas as grávidas e se demonstrada a infeção tratar com o antibiótico apropriado. Outra infeção que só é grave durante a gravidez e o parto é a provocada pelo Estreptococos do grupo B, que pode causar além de aborto ou de parto pré-termo, cegueira e meningite no recém-nascido, pelo que também se deve fazer o despiste e respetivo tratamento com antibiótico. O Herpes Vírus e o Papiloma Vírus Humano também são perigosos para o bebé na passagem do canal de parto.

    A taxa de recorrência do Herpes genital durante a gravidez é superior à mulher não grávida e a taxa de recorrência aumenta à medida que o parto se aproxima. Das grávidas com Herpes genital 25% vão ter uma reativação no último mês da gravidez e aproximadamente 14% na altura do parto. Se o primeiro episódio foi durante a gravidez a percentagem de recorrência durante o parto é de 36%, se foi anterior à gravidez é de 10%. Durante a gravidez há uma relativa imunossupressão (diminuição das defesas) além de alterações induzidas na mucosa vaginal pelo aumento da progesterona e das prostaglandinas, à medida que a gravidez avança.

    A primoinfeção por Herpes durante a gravidez pode provocar na grávida: meningite, hepatite e zona. Para além disso pode haver aumento de complicações como aborto espontâneo, atraso de crescimento intrauterino, parto pré-termo e disseminação transplacentária da infeção para o feto. Se o surto for recorrente antes do trabalho de parto ou da rotura de membranas não vai afetar o feto. Não há casos descritos de alterações do feto se ele sobreviveu a um surto de primoinfeção durante o primeiro trimestre de gravidez. O principal perigo é a exposição intraparto, o Herpes neonatal afeta o sistema nervoso, pele, olhos e membranas mucosas, pelo que está indicado o parto por cesariana.

    O Papiloma Vírus Humano (HPV), em julho de 2010 eram conhecidos 108 subtipos. As infeções por eles provocadas são confinadas aos epitélios (mucosas genital, orofaríngea e ano rectal) e superfícies cutâneas, penetrando até á membrana basal, mas não há evidência que entrem na corrente sanguínea. A transmissão do HPV durante o trabalho de parto é possível, pode provocar a Papilomatose laríngea juvenil com obstrução respiratória grave e de difícil tratamento.

    Em situação de rotura prematura de membranas a infeção do recém-nascido pode manter-se subclínica vindo a manifestar-se na criança meses ou até anos após o parto. Uma vez que está demonstrado que o HPV de alto risco está implicado no cancro cervical, deve ter-se em atenção que já existem vacinas para os 2 subtipos HPV (16,18) os mais frequentes nos países ocidentais, mas que não cobrem todos os subtipos, o que não dispensa o seu rastreio através de citologias e a ida ao ginecologista para diagnóstico da sua existência no colo do útero, vagina, vulva ou períneo.

    O tratamento eficaz faz-se através de laser, crio coagulação, eletrocoagulação, cauterização química com ácido tricloroacético 80% ou excisão cirúrgica.

    A Sífilis Primária aparece 20 a 90 dias após o contacto sexual é diagnosticada através do aparecimento de uma pequena úlcera edematosa, indolor associada a adenopatias regionais e que passa espontaneamente em 5-8 semanas. Na ausência de tratamento evolui para Sífilis Secundária; doença generalizada com hipertermia, erupção cutânea característica, de cor vermelha, simétrica, sem prurido associada a placas mucosas na boca, faringe, vulva e ânus, queda de cabelo, etc. O diagnóstico da Sífilis Primária e Secundária é ajudado pela serologia (VDRL, FTA-ABS, TPHA).

    Na ausência de tratamento, aparece a Sífilis Terciária 5 a 20 anos depois com lesões neurológicas, ósseas, cardiovasculares, etc. Nesta fase o diagnóstico já se faz por punção lombar e análise do líquido cefalorraquidiano (aumento das proteínas e das células). Tem tido um novo incremento, sobretudo em mulheres imunodeprimidas ou por terapêuticas imunossupressoras ou portadoras do vírus HIV Sida.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • HPV - O que é? Quais os mitos e tabus? Como diagnosticar?

    1- A vulva é o sítio tabu do corpo da mulher, ignorado até por alguns ginecologistas que tendo uma citologia do colo do útero normal ou com inflamação dizem estar tudo bem e ignorar as queixas da mulher de ardor no final das relações sexuais, dificuldade em lubrificar e conseguir uma penetração não dolorosa e queixas persistentes e/ou recorrentes de infeções vaginais e/ou urinárias há 1 ano ou mais.

    2- As verrugas na vulva são de transmissão sexual! Já observei uma criança que vinha acompanhada pelos pais para observação ginecológica e pareceu-me virgem e inocente, no entanto esta família confessou-me estar a viver o drama de “o caso da verruga” na vulva estar já declarado no instituto de medicina legal.

    3- O HPV é só problema da mulher! O homem é apenas transmissor e nenhum mal lhe acontece! Este ano a vacina contra o HPV 16 e 18 existente no plano nacional de saúde para as meninas no ano em que fazem 13 anos, começou a ser divulgada para ser utilizada também nos rapazes para prevenir os tumores da cabeça e do pescoço que são provocados na sua maioria pelo HPV 16, além da prevenção do cancro do pénis e do ânus.

    O QUE É O HPV (PAPILOMA VIRUS HUMANO)?

    Como o nome indica é um vírus que se reproduz através da sua inscrição no genoma (ADN) das células humanas que ao se replicarem ele o consegue juntamente com elas, tendo a particularidade de formar papilas na pele e nas mucosas infetadas (parecem dedinhos fininhos) e todos aglomerados podem formar a chamada verruga.

    Pode existir em qualquer local do corpo, pode passar de uns locais para os outros através de dedos ou o uso de objetos íntimos ou nas sanitas, jacúzis, etc.

    É IMPORTANTE SABER:

    1- A maioria dos HPV não são de alto risco.
    2- É altamente contagioso e por isto quase toda a gente tem contacto com ele durante a vida.
    3- Passa naturalmente em 7-8 meses em 70-80% dos casos e necessita de tratamento se persiste.

    Em Julho de 2010 eram conhecidos 108 subtipos de papiloma vírus humano (HPV) as infeções por eles provocadas são confinadas aos epitélios (mucosas genital, orofaríngea e ano-rectal) e às superfícies cutâneas, penetrando até à membrana basal, não há evidência que entrem na corrente sanguínea.

    A transmissão do HPV durante o parto é possível, pode provocar a papilomatose laríngea juvenil, com obstrução respiratória grave e de difícil tratamento. Em situação de rutura prematura de membranas, a infeção do recém-nascido pode manter-se subclínica, vindo a manifestar-se na criança meses ou até anos após o parto.

    Uma vez que está demonstrado que o HPV de alto risco está implicado em vários cancros, nomeadamente o do colo do útero deve ter-se em atenção a existência de vacinas para os subtipos HPV 16, 18, 45, 6 e 11, que são os mais frequentes nos países ocidentais, mas que não cobrem todos os subtipos e por isso a vacina não dispensa as visitas de rotina ao ginecologista.

    O HPV pode existir no núcleo da célula e não provocar alterações e a célula continuar a dividir-se a um ritmo normal ou pelo contrário provocar-lhe alterações que a levam a dividir-se mais rapidamente (displasia, neoplasia). No colo do útero existe uma “zona de junção”, que é a transição entre o endocolo (epitélio colunar simples) e o exocolo (epitélio pavimentoso estratificado). Como é uma zona de divisão celular, aqui o HPV pode causar mais facilmente problemas graves e que são assintomáticos pois o colo não tem recetores nervosos e só se deteta porque há queixas de perda de sangue após as relações sexuais ou através de uma citologia e/ou colposcopia. Para que o colo uterino fique infetado é necessário que a transmissão seja através da penetração. Pensa-se que uma virgem não pode ter cancro do colo uterino.

    A citologia do colo uterino consiste na colheita de células que são colocadas numa lâmina ou num frasco com líquido próprio e depois vistas ao microscópio por um citologista que diz se há alterações inflamatórias, infeciosas ou neoplásicas dessas células.

    A colposcopia consiste num exame que o médico realiza no consultório e que permite ver as células com um aumento de cerca de 15 vezes. As chamadas lesões vermelhas do colo são colos do útero com apenas uma camada de células e em que se veem os vasos que as irrigam e que não aconteceria se fossem várias camadas de células como pertence que seja o exocolo. Ficando assim expostas a traumatismos e infeções.

    Para um especialista em colposcopia é possível interpretar o padrão de alterações dos vasos que irrigam as células do colo (ponteado, mosaico, leucoplasia) e decidir se se trata de uma colposcopia de baixo ou de alto grau.

    Com a ajuda de dois líquidos que coloca na zona a estudar.
    Um é o ácido acético a 5% que provoca a precipitação das proteínas existentes nas células, fazendo com que as células que estão infetadas pelo vírus e que por isso têm o seu genoma maior, mais proteína e o núcleo maior, fiquem mais brancas.

    O padrão como ficam brancas, mais rápida e intensamente, vírus de alto risco, ou mais lenta e discretamente, vírus de baixo risco.

    O outro líquido utilizado complementarmente é o lugol (produto iodado) que ao contrário do outro, identifica a zona não infetada, pois ele é absorvido pelo glicogénio existente no citoplasma das células. As células que absorvem mais lugol e ficam castanhas são as células normais, com o citoplasma maior que o núcleo.

    As zonas do colo e vagina que não coram são as pobres em glicogénio, ou porque estão infetadas por vírus ou fungos, bactérias, parasitas ou porque estão atróficas por falta de estrogénios como é na menopausa.

    Mas para um especialista de colposcopia o padrão de coloração pelo lugol (se tem bordos bem delimitados ou dispersos por exemplo) permitem-lhe em conjunto com a avaliação feita com o ácido acético e primeiramente sem nenhum líquido chegar à conclusão se é necessário efetuar uma biópsia para diagnóstico histológico ou não.

    A biopsia retira um pedaço de tecido (não um esfregaço como a citologia) e o seu tratamento em laboratório e posterior exame ao microscópio é mais trabalhoso e dispendioso, pelo que é importante que a colposcopia seja efetuada por um colposcopista que saiba com segurança escolher o local certo da biopsia porque conhece bem os padrões vasculares existentes. De outra forma pode estar a efetuar-se a biopsia no local de lesão menos grave ou a efetuar uma biopsia desnecessária.

    O controlo de qualidade de uma colposcopia faz-se comparando o número de biopsias que vêm positivas para lesão em relação ao total de biopsias efetuadas. Se o colposcopista não for experiente o colposcópio funciona como pouco mais do que uma boa fonte de luz.

    Quanto à colposcopia da vulva e vagina deve ser feita sempre que existem queixas de ardor por parte da doente. Observa-se a reação das células ao ácido acético. Podem não existir lesões visíveis e, no entanto, depois da colocação do líquido num tempo maior ou menor, com mais ou menos intensidade de reação pode aparecer o que chamamos de condiloma plano. Existem papilas parecidas com as papilas provocadas pelo HPV, mas que são fisiológicas, estas são assintomáticas e não se visualiza o capilar sanguíneo central que têm as do HPV.

    Se visualizarmos isto e em simultâneo a mulher se queixar de ardor, tenho experiência positiva em fazer tratamento tópico. Se, contudo, não houve queixas, então não se trata e fica-se só vigilante. Se se verificar a existência de uma papila grande ou de um aglomerado de papilas que sejam sintomáticas, deve proceder-se à excisão ou com a pinça de biopsia se possível ou mesmo com um bisturi, sendo por vezes necessário fazer uma sutura com pontos absorvíveis.

    Parece-me errado fazer uma biopsia parcial para comprovar a existência de HPV e não tratar. A conduta do ginecologista em relação à vulva deve ser a mesma que a do dermatologista perante uma lesão a HPV noutro local, isto é: Tratar!

    1. Com agentes tópicos que promovem a dissolução da queratina e a morte das células (Ácido tricloroacético, podofilina, laser ou criocoagulação)

    2. Usar imunomoduladores que melhoram a defesa do sistema imunitário contra este tipo de vírus (imiquimod, ácido fólico, vitamina A). Redução do stress.

    3. Exérese cirúrgica da lesão.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Incontinência urinária pode ser diagnosticada e tratada em consultório?

    Sim. Incontinência urinária pode ser diagnosticada e tratada em consultório.

    Ler o artigo completo aqui.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Perfil dos factores de coagulação na mulher. O que ter em conta?

    Perfil dos fatores de coagulação na mulher pré e pós menopausa com e sem hormonas.

    Ler o artigo completo aqui.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Doença Vibroacústica. O que é?

    Doença vibroacústica, provocada por exposição prolongada a ruídos de baixa frequência.

    Ler o artigo completo aqui.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Agenésia Mulleriana. O que é?

    Ausência de útero e de parte da vagina associada a doença oftalmológica.

    Ler o artigo completo aqui.

    in "Revista Obstetrícia e Ginecologia" (SETEMBRO 1997: 269-271).

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • A Menopausa Precoce é uma doença autoimune?

    Sim. A menopausa precoce é uma doença autoimune com anticorpos anti ovário muitas vezes associada a outras doenças autoimunes.

    Ler o artigo completo aqui.

    in "Revista Obstetrícia e Ginecologia" (JUL 1995: 251-254), "Menopausa Precoce - Síndrome Poliglandular".

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Ponto G. O que é? Que benefícios tem para o orgasmo feminino?

    Ponto G é o tecido conjuntivo suburetral. É onde estão as glândulas parauretrais de Skene. Estas têm todos os componentes estruturais e funcionais da próstata masculina.

    Mulheres em que este tecido está bem desenvolvido tem orgasmos fáceis. Nas outras podemos ajudar com infiltração de ácido hialurónico, por exemplo. É uma técnica muito simples e faz se sem anestesia no consultório.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Dificuldade em engravidar. Que diagnóstico fazer? O que fazer?

    Em cerca de metade dos casos é de causa masculina e o diagnóstico faz-se através de um espermograma com espermocultura.

    As causas femininas dividem-se em 1/3 ovário (anovulação e síndrome do ovário micropoliquístico), 1/3 trompas (doença inflamatória pélvica e endometriose) 1/3 útero (pólipos, miomas, útero septado ou bicórneo). O diagnóstico faz se com analises, ecografia, histerossalpingografia, histeroscopia e laparoscopia.

    Só em casos de obstrução total das trompas, de uma azoospermia ou oligospermia e casos em que são necessários espermatozoides ou ovócitos de dador é que é necessário recorrer à FIV.

    Muitos dos casais que frequentam as clínicas de infertilidade não necessitam e entram numa espiral de consumismo e ansiedade que diminuem a possibilidade de uma gravidez espontânea.

    Um ciclo de FIV pode custar 5000 ou mais euros, as chances de sucesso são 10% e o dinheiro não é devolvido.

    Não é explicado que bebés nascidos de uma FIV tem 5 vezes mais probabilidades de terem doenças raras como o autismo e a paralisia cerebral.

    Aos 40 anos uma mulher não é aceite em programas estatais de fertilidade e nos privados é aconselhada a engravidar de ovócitos de dadora para aumentar as probabilidades de êxito.

    As mulheres têm a sua vida fértil ideal entre os 20 e 40 anos. De preferência dos 25 aos 35 anos.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Curva de temperatura basal. O que é? Para que serve?

    O método das temperaturas é mais eficaz para ajudar a engravidar do que para evitar gravidez.

    A medição da temperatura interna do corpo (ex: na boca), de manhã ainda em repouso, antes de levantar.

    A temperatura interna é cerca de 0,5ºC superior à temperatura externa e podem variar. Mas, quando há uma ovulação, a progesterona aumenta e esta hormona é responsável pelo aumento da temperatura.

    Quem usa o método da temperatura (Ogino-Knaus) para não engravidar pode ter relações sexuais desprotegidas apenas quando a temperatura acabou de subir.

    Em ciclos anovulatórios que são muito frequentes sobretudo em mulheres com ovários micropoliquísticos (cerca de 1/3 das mulheres) a temperatura não sobe e assim não sabem qual é a altura em que podem ter relações sexuais desprotegidas.

    Este método das temperaturas usado para engravidar indica que está na altura de ter relações sexuais quando a temperatura começa a subir. Pode subir 0,1ºC ou um pouco mais por dia. Basta ter relações sexuais em dias alternados durante esses 5 dias. Pois a semi-vida do espermatozoide é de 48 a 72 h e ele pode ficar nas trompas à espera do óvulo, que por sua vez apenas tem uma semivida de 12 a 24 h após a ovulação.

    Assim uma curva de temperatura normal de um ciclo ovulatório é uma curva bifásica, em que a temperatura sobe de 36,5ºC para 37ºC nestes dias é a melhor altura de ter relações sexuais.

    Se a mulher ficar gravida, a temperatura vai manter-se elevada, se não, ela desce no início do período menstrual.

    Se houver ovulação, mas a seguir a produção de progesterona pelo corpo amarelo for insuficiente, a temperatura não se mantém e fica instável, uns dias mais elevada do que outros. Estas são as mulheres que necessitam de fazer suplementação de progesterona para manter a gravidez.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Quais as diferenças entre o parto num hospital público e privado?

    Um parto num hospital público se correr tudo bem e feito por uma enfermeira ou enfermeiro. Os médicos só são chamados se algo correr mal para poderem fazer um parto com fórceps e/ou ventosa.

    Ou decidir de uma cesariana. A grávida quando e internada perde a sua autonomia não pode decidir sobre que tipo de parto gostaria de ter e entra numa linha de montagem em que vai passando pela mão de vários profissionais. Se correr com normalidade ótimo o pior é quando começam as dificuldades e ela tem de enfrentar a insistência na tentativa de um parto por via baixa que por vezes vai além de qualquer razoabilidade.

    Uma diferença também é se consegue ter direito a uma epidural feita por um anestesista experiente.

    Outra diferença é a aptidão cirúrgica de quem fez o parto e faz as correções de episiotomias e rasgaduras. Por vezes necessitam de uma cirurgia íntima no pôs parto.
    Outra diferença é a possibilidade de poder descansar durante a noite pois no Hospital público existem poucas enfermeiras durante a noite para uma enfermaria com muitas puérperas. Mesmo que quisessem ajudar a tomar conta dos bebés era humanamente impossível.

    A livre escolha é uma conquista da mulher moderna. O Parto no Hospital Público é gratuito para os pais tem o mesmo custo que no privado só que é o estado, ou seja, os impostos de todos nós a pagar. Existem bons seguros que comparticipam o parto alguns na totalidade ou quase. O parto privado já tem um preço muito acessível cerca de 4 a 6 vezes inferior de há 20 anos atrás.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Rastreio combinado do primeiro trimestre / Rastreio pré-natal de cromossomopatias fetais no sangue materno. O que acontece?

    Rastreio bioquímico do primeiro trimestre - avaliação do valor das hormonas beta HCG e PAP-A existentes no sangue materno as 12 semanas.

    Rastreio bioquímico do segundo trimestre - avaliação das hormonas beta HCG, estriol e alfafetoproteína no sangue materno as 16 semanas.

    Rastreio combinado:
    Utilização das medidas fetais obtidas na ecografia das 12 semanas como o comprimento crânio caudal, a prega da nuca e o comprimento do osso nasal. Em combinação com os valores dos rastreios bioquímicos.

    O rastreio combinado do segundo trimestre faz se há cerca de 20 anos e tem um grau de deteção de Síndrome de Down de 86%.

    Quando se acrescentou o rastreio bioquímico do primeiro trimestre há cerca de 10 anos este grau de deteção passou para 92%.

    Não se sabe qual a probabilidade de deteção do rastreio combinado do primeiro trimestre não associado ao do segundo.

    Muito menos querer compara lo ao teste de diagnóstico pré-natal que pesquisa DNA fetal no sangue materno a partir das 10 semanas com um grau de deteção de Síndrome de Down de 99,9%.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • O que é o diagnóstico pré-natal que deteta o Síndrome de Down com colheita de sangue materno?

    Harmony exame de diagnóstico pré-natal de cromossomopatias como a Síndrome de Down efetuado por uma colheita de sangue materno a partir das 10 semanas e que deteta DNA fetal presente na circulação sanguínea materna.

    Tem uma probabilidade de diagnóstico de Síndrome de Down de 99,9% praticamente igual a de uma amniocentese com a vantagem de que não é invasivo e de que se efetua numa fase mais precoce da gravidez 10 semanas e não 16 semanas. Isto permite aos pais tomar decisões precocemente cerca das 12 semanas em vez das 20 semanas.

    Inconveniente e mais dispendioso que o rastreio combinado e custa o mesmo que uma amniocentese.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Para que serve a colheita de exsudado vaginal durante a gravidez para pesquisa de estreptococos do grupo B?

    A pesquisa de estreptococos do grupo B na grávida tem dois motivos.

    Um às 28 semanas ou antes se houver contrações para prevenir o parto pré-termo. Pois é uma bactéria que causa contrações uterinas. Na mulher não gravida não causa problemas, e há mulheres que costumam ter de forma recorrente.

    Outro motivo da sua pesquisa as 35 semanas é a prevenção de meningite e cegueira no recém-nascido.

    É vantajoso a utilização de um probiótico desde o início da gravidez para equilibrar a flora vaginal e evitar infeções.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • O que é cirurgia íntima?

    É toda a intervenção que se faz aos órgãos genitais femininos externos (reconstrução e rejuvenescimento dos pequenos lábios, grandes lábios e períneo) e aos órgãos genitais femininos internos (reconstrução e rejuvenescimento da vagina, parede anterior com a bexiga, parede posterior com o reto, levantamento dos músculos do pavimento pélvico, infiltração do ponto G).

    As mulheres recorrem mais pela parte estética externa porque a maioria ainda desconhece a existência da interna, normalmente é o médico que faz a citologia do colo do útero que alerta para a existência de útero e/ou bexiga e/ou reto descidos.

    Por isto decidi que a todas as mulheres que me procuram para melhorar a sua parte íntima eu ofereço a correção de todo o conjunto conforme as necessidades de cada uma e a minha avaliação.

    As mulheres são intervencionadas em ambulatório com anestesia local e sedação e tem alta no mesmo dia. Esta cirurgia não tem um pós operatório doloroso, podem fazer a sua vida normal exceto atividade sexual que é aconselhável só após 4 semanas.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • A vacina do cancro do colo do útero deve ser feita? Em qualquer idade? Os homens também devem fazer?

    Sim, a todas as perguntas!

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • O cancro do colo do útero é uma doença sexualmente transmissível?

    Sim. Só tem cancro do colo do útero quem adquiriu sexualmente um vírus de HPV (“Papiloma Vírus Humano”).

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Fiz uma citologia do colo do útero, veio negativa. Posso estar descansada? Não tenho cancro do colo do útero?

    A citologia deteta a existência de alterações das células do endocolo se disser "presença de células da zona de transformação". Esta é a zona do colo onde o vírus do HPV se instala, se disser "ausência de células da zona de transformação", é porque não houve uma boa colheita. Isto é frequente em mulheres que nunca tiveram um parto vaginal ou depois da menopausa em que o orifício externo do colo fica muito fechado.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • A candidíase é uma doença sexualmente transmissível?

    Não. Embora possa ser transmitida pelo contacto e, por isso, se o parceiro apresentar sintomas também é tratado.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Estou sempre a ter corrimento e infeções fúngicas. O que posso fazer?

    As infeções fúngicas recorrentes podem ser devidas a alteração do PH da vagina que fica mais ácido com menos bacilos de doderlein, que são a flora vaginal normal.

    Acontece quando o sangue fica mais doce devido a uma diabetes ou ingestão frequente de doces e, isto modifica eliminando os doces e fazendo dieta pobre em carbohidratos.

    Acontece mais em pessoas que façam desporto e transpirem com fatos de lycra.

    Acontece devido a toma de antibióticos porque estes matam a flora normal. É aconselhável a toma de probióticos em simultâneo.

    Se houver uma infeção viral no colo do útero ou na vulva e/ou na vagina, a imunidade local fica diminuída e a candidíase é mais frequente.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Tenho perdas de urina, preciso de ser operada?

    Se as perdas forem durante o esforço... Quando tosse, ri, corre ou salta trata-se de uma incontinência urinária de esforço e pode ter que fazer uma suspensão do ângulo entre a bexiga e a uretra. Mas primeiro, deve tentar fazer fisioterapia com estimulação do pavimento pélvico e exercícios perineais de Kegel e melhorar a espessura das camadas da vagina com estrogénios locais que podem ser fitoestrogénios.

    Se perder urina quando ouve água a cair ou está mais frio isso quer dizer que tem uma emergência urinária e esta situação não é corrigida com cirurgia. Pode ter que tomar medicação apropriada.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • Estou grávida, estou a perder sangue, o que faço?

    Contacte a sua ginecologista. Ela vai dizer-lhe para fazer repouso e abstinência sexual e vai avaliar a situação conforme o tempo de gravidez em que se encontra.

    - Se for um sangramento do 1º trimestre pode ser devido a alterações cromossómicas por má qualidade do óvulo ou do espermatozoide ou por ter sido exposta a substâncias nocivas para o embrião. Nestes casos vai acabar por ter um aborto espontâneo mesmo fazendo repouso e abstinência.

    - No início da gravidez pode haver perdas de sangue devido a falta de hormonas, neste caso ao detetar na ecografia e nas análises o médico vai prescrever estas hormonas em falta além do repouso e abstinência.

    - Uma causa importante de perdas de sangue são infeções ginecológicas ou urinárias, mas também podem ser provocadas por parasitas intestinais como a Giardia Lamblia, por exemplo.

    - A perda de sangue pode ser do colo do útero por pólipos ou por uma lesão sangrante e não de dentro do útero e assim não coloca a gravidez em perigo.

    - A perda de sangue numa gravidez mais avançada pode ser devida a um descolamento de placenta. Isto é uma situação grave para a mãe e para o bebe e requerer hospitalização e monitorização da situação até se decidir a melhor altura para o bebé nascer. Pode esperar-se durante 1 ou mais meses dependendo dos valores das análises, da quantidade de sangue perdida e sempre tentado que o bebé atinja a sua maturidade pulmonar, que pode ser estimulada através da injeção de corticoides à mãe.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra

  • O que se faz numa consulta de Ginecologia-Obstetrícia é igual ao que se faz no Planeamento Familiar do Centro de Saúde?

    Não. No centro de saúde é um médico de Medicina Geral e Familiar não um especialista de Ginecologia e Obstetrícia.

    Fazem-se os rastreios das doenças mais frequentes e, por faixa etária, obedecendo aos indicadores emitidos pelo Ministério da Saúde.

    É importante, mas diferente do aconselhamento individual e personalizado e incluindo rastreios de doenças menos frequentes como o cancro do ovário por exemplo, que no centro de saúde não é procurado em nenhuma faixa etária.

    Dra. Ana Lúcia Nogueira
    Ginecologista e Obstetra